Como vender quando você tem vergonha de oferecer?

Por June, fundador da Lura
Atualizado em
Comece por onde a vergonha pesa menos: gente que já te conhece, uma mensagem escrita em vez de uma conversa cara a cara, e uma oferta que fala do que você faz, e não de você. Vender não precisa ser se mostrar. Dá pra começar pelos bastidores e ir ganhando confiança aos poucos, no seu ritmo.
E saiba que a vergonha não é sinal de que você não serve pra isso. Muita gente boa no que faz trava justamente na hora de oferecer. A Lura leva isso a sério: em vez de empurrar exposição, ela começa acolhendo e mostra caminhos em que você trabalha sem precisar aparecer.
Por que dá tanta vergonha de vender?
Porque oferecer alguma coisa parece pedir favor, e ouvir um não parece rejeição pessoal. Tem também o medo de incomodar, o medo do que os outros vão pensar e aquela voz que diz que o seu trabalho não é bom o bastante pra cobrar. Quase todo mundo sente uma mistura disso no começo.
Ajuda separar as coisas. Quando você oferece um bolo, um conserto ou uma aula, você está resolvendo um problema de alguém, e a pessoa decide se quer ou não. O não costuma falar do momento dela, do bolso dela ou da necessidade dela, e raramente fala de você.
Dá pra vender sem aparecer?
Dá. Nem todo caminho de renda pede vídeo, foto do rosto ou conversa com desconhecido. Existem trabalhos de bastidor, em que quem aparece é outra pessoa e você cuida da parte que sabe fazer bem. Alguns exemplos:
- Produzir pra quem já vende, como doces pra uma lanchonete do bairro ou peças pra uma loja pequena.
- Fazer serviços pelo celular, como organizar uma planilha, editar um vídeo ou responder as mensagens de um negócio.
- Divulgar pelo status do zap, mostrando o trabalho e não o rosto.
- Deixar alguém de confiança indicar você, em vez de você mesmo oferecer.
Com o tempo, muita gente percebe que a vergonha diminui quando chegam os primeiros elogios de cliente. Mas isso vem no seu ritmo, e ninguém precisa pular essa etapa pra começar.
Precisa ter jeito de vendedor pra vender?
Não. A imagem do vendedor falante, que puxa conversa com qualquer um, assusta muita gente e não serve de régua. Tem quem venda bem justamente por ser quieto: escuta mais, promete menos e entrega o que combinou. Cliente que volta costuma voltar pela qualidade e pela confiança, e não pelo discurso.
O que ajuda de verdade é conhecer bem o que você oferece. Quando você sabe explicar o que está incluído, quanto tempo leva e como a pessoa faz o pedido, a conversa fica mais leve, porque você está passando informação, e não tentando convencer ninguém.
Como fazer a primeira oferta sem travar?
Escreva antes de falar. Uma mensagem pronta, curta e clara tira o peso de improvisar. Algo como: “Oi, tudo bem? Estou fazendo bolo de pote por encomenda. Se quiser, me chama aqui que eu te mando as opções.” Repare que a mensagem não pede nada e não insiste, ela só avisa que existe.
Mande primeiro pra quem você tem mais intimidade, e não pra todo mundo de uma vez. Cada resposta boa dá coragem pra próxima. Se o grupo grande da família parecer demais, comece pelo status, onde ninguém é chamado diretamente e quem se interessa vem até você.
E se a pessoa disser não?
Agradeça e siga em frente. Um não educado é informação: talvez não seja o momento, talvez o preço não caiba agora, talvez a pessoa simplesmente não precise. Nada disso diz que o seu trabalho é ruim, e quem vende há muito tempo ouve não toda semana e continua.
Uma coisa que ajuda é decidir antes quantas ofertas você vai fazer na semana, e não quantas vendas. Oferta depende de você, venda depende do outro. Assim a meta fica no seu controle, e o não deixa de ser derrota pra virar parte do caminho.
Como falar o preço sem ficar sem graça?
Fale o preço como fato, sem pedir desculpa. Dizer “o bolo sai por tanto” soa muito melhor do que “olha, se for caro me fala”. Quando você pede desculpa pelo preço, a pessoa entende que ele pode baixar, e a conversa começa contra você.
Ter o preço escrito ajuda muito. Uma lista simples, mandada como mensagem, faz o valor parecer coisa normal, que vale pra todo mundo. E cobrar não é tirar vantagem de ninguém: é o que permite você continuar fazendo bem feito.
Como a Lura respeita esse tempo?
Logo nas perguntas do começo, a Lura quer saber se você prefere aparecer ou trabalhar nos bastidores, e leva a resposta a sério. Se a vergonha pesa, o caminho começa por passos que não pedem exposição, e a trilha aumenta o desafio devagar, quando fizer sentido pra você.
No Guia, você pode contar o que trava e conversar sobre o seu caso, sem julgamento. A Lura não vai mandar você gravar vídeo, sair batendo de porta em porta ou largar o que você tem. Ela ajuda você a dar o próximo passo possível, do seu jeito.
